terça-feira, julho 04, 2006

Depois de vencer a barreira que tenho com obras comentadas de mais, acabei por pegar o Código Da Vinci. Estou agora nas últimas páginas e devo me confessar surpreendida. O enredo prende, prende ao ponto de eu ter lido mais de trezentas páginas nos últimos dois dias, sendo que foram dias de trabalho, li consideravelmente. Entretanto, um enredo que prende não é algo que seja surpreendente, este é o segredo da maioria dos best sellers. O que muito me agradou foi que, ficção à parte, ele trouxe ao grande público temas pouco abordados nos meios de massa. Sem maiores detalhes e especificidades, o texto traz ao debate grandes questionamentos religiosos. Temas tratados em obras sobre as religiões pagãs, a deusa ou bruxaria são trazidos á tona de uma forma interessante. Na figura de um historiador, temas que costumam ser tratados com o ímpeto de convencimento, movidos pela fé, nessa obra encontram uma postura mais próxima da neutralidade pela fala desta personagem. A obra, em si, está longe de ser neutra e desinteressada; porém, por esta personagem, os temas são tratados como fatos sem julgamento moral, dentro das possibilidades de tratar esses temas de forma neutra. Os questionamentos sobre as religiões cristãs são feitas de diversas formas, entretanto, a questão da fé, em si, é pouco questionada, o que acredito ser uma grande vantagem deste livro. As críticas à Igreja, como instituição, não são nem um pouco veladas; entretanto, consegue distinguir a instituição da fé, coisa rara na maioria das obras que tratam do tema. Fiquei bem satisfeita que uma obra com grande repercussão trate de assuntos que leio ha muito tempo em livros específicos, possibilitando ao grande público questionamentos em relação às instituições. Principalmente por que isso implica em pré conceitos impostos há séculos e até hoje vigentes de alguma forma sobre o masculino e o feminino. Talvez o espaço feminino na sociedade seja resgatado de fato quando um maior número de pessoas entender o mecanismo de discriminação pela igreja católica desde seus primórdios. Muito mais do que temas religiosos, as religiões pagãs e a criação da religião católica são temas sociais atuais.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Nossa.
Tu nesse texto falou exatamente o que eu penso sobre esse livro.

4/7/06 17:43  
Blogger managut said...

Hehehe, eu também não leio peças, textos ou vejo filmes que foram comentados demais... Li o anterior dele "Anjos e Demônios", bem interessante tb, mas acho que a fórmula eh a mesma. Prometo ler o Código pra comparar. Bjim

7/7/06 22:16  
Anonymous Anônimo said...

Está nos meus planos...

9/7/06 16:45  

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